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Augusto dos Anjos - Soneto - E o mar gemeu a funda melopéia

E o mar gemeu a funda melopéia
À luz feral que a tarde morta instila,
Triste como um soluço de Dalila,
Fria como um crepúsculo da Judéia.


Augusto dos Anjos - Soneto - E o mar gemeu a funda melopéia - Poem

E o mar gemeu a funda melopéia
À luz feral que a tarde morta instila,
Triste como um soluço de Dalila,
Fria como um crepúsculo da Judéia.

Já Vésper, no Alto, a lânquida, cintila!
Naquela hora morria para a Idéia
A minha branca e desgraçada Déa,
Qual rosa branca que ao tufão vacila.

E o mar chamou-a para o fundo abismo!
E o céu chamou-a para o Misticismo.
Nesse momento a Lua vinha calma

E céu e mar num desespero mudo
Não viram que num halo de veludo
À alma de Déa se evolava est’alma.

Augusto dos ANJOS (1884 - 1914) - Eu e Outras Poesias.





Augusto dos Anjos é um dos mais originais poetas brasileiros, e também um dos mais populares. Sua obra consiste, porém, em apenas um livro. Eu foi publicado ainda em vida do autor; outros poemas, publicados em periódicos ou inéditos, foram coligidos após sua morte e acrescentados ao volume organizado pelo autor, renomeado então Eu e Outras Poesias . Aclamada pelo público e pela crítica, sua obra foi repudiada por muitos em sua época, e ainda causa estranheza, pela mistura de vocabulário coloquial e científico, pelos temas exacerbadamente macabros e pessimistas, pelo exagero sistemáticos na linguagem e no tratamento dos temas. Não obstante as controvérsias que cercam sua obra, muitos de seus versos caíram no uso popular, tais como um urubu pousou em minha sorte , a mão que afaga é a mesma que apedreja e outros.



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